Férias

A casa da praia depois do almoço tem duas características: - albergue e parque de diversão.
Albergue porque os adultos se deixam ficar em qualquer canto. Cansados do sol, da praia, do comer e do beber só querem dormir. As crianças que não se cansam e que não exageram na comida estão “leves e soltas”. Agitadas procuram alternativas. Já que pelas próximas duas horas estão proibidas de se aproximar da água. Então...
Então que enrolada na rede da varanda eu tinha virado o contato da molecada com o mundo desperto. Sonada sugeri que fossem pra sala escutar música. Quem sabe assim, eu também conseguisse me albergar.
Durante algum tempo a estratégia deu resultado, mas uma vozinha chorosa me tirou da sonolência.
-Tia, tia, a Carol diz que eu sou impávido colosso.
- O que? Carol uma magrelinha de três anos, de mãos na cintura me olhava desafiadoramente, enquanto Luana de cinco já se estendia sobre mim dentro da rede aos soluços...
- Ela falou que você é o que? E precisei conter o riso
- Impávido Colosso.
- Carol, de onde você tirou isso?
- De lá.
- De onde?
- Da música tia, da música. E pronto. Luana e Carol saíram atropelando a todos querendo chegar primeiro ao aparelho de som.
Adriana Calcanhoto tem uma música onde ela pergunta o que significa Impávido Colosso.
Acalmados os ânimos, as crianças foram brincar.
À noite, eu, meu marido, minha filha e alguns amigos fomos jantar no shopping. Na praça de alimentação. Como não estava a fim de comida de garfo e faca, fui pegar um lanche e quando voltava vi vindo em minha direção um amigo de minha filha. Rapaz de uns 20 anos, sarado, bonito, que várias vezes esteve em casa. Sorriso formado esperei o boa noite e... ele passou por mim... Impávido Colosso. Na mesa comentei o fato. A resposta da minha filha:
- Você acha que ele ia olhar pra você?
- ?!
- Bem, quando janta lá em casa sempre olha para mim e me cumprimenta.
Paula minha sobrinha riu e disse: Não ligue tia, deve ser surfista. A maioria mal se agüenta nas pranchas, mas fazem uma pose...
- Sabe que já reparei nisso. Até pensei em comprar uma prancha e sair por aí com ares de surfista.
A gargalhada foi geral.
- Ó é muito simples. A gente coloca a prancha embaixo do braço, e vai pra praia sempre olhando pra frente. Com ar de quem só se preocupa com a água. Dentro da água então, a gente deita na prancha e começa a dar braçadas fortes regulares, e vai mexendo o rosto de um lado a outro sem olhar pra ninguém.
- Não é fácil? E sai da praia do mesmo jeito. Prancha embaixo do braço e olhar a frente.
- Olha tia acho que dá até pra cortar o item de entrar na água. A maioria fica só andando pela praia com a prancha na mão e o olhar de quem verifica se vai dar onda ou não. Uma bermuda largona aparecendo à cueca. Vez em quando fincam a prancha no chão e a galera se junta. Se achando.
- Cabelo pintado eu tenho. Não é parafina, mas é loirinho.
- Então tia dá pra encarar.
- É, a pose até sei fazer. O duro vai ser imitar aqueles braços, pernas e barrigas durinhas.
- Então esquece, porque os Impávidos Colossos podem ter dificuldade com a educação, mas durinhos, durinhos... eles são.
 

maria izabel