Interlúdio

Manhã fria em São Paulo. Entre a cama e a rua fica a porta. A da frente, a do quarto, as minhas próprias. Não estou só, o dia está frio, meu olhar é quente, e a cama acolhedora.
Mas sei que o homem no banheiro, prepara-se pra sair. Assim sem figura de cena chego à porta e sorrio. Com a mão, ele limpa o vidro do Box pra poder me ver.
- Que foi?
- Vai demorar?
- Não, estou saindo.
Lentamente tiro a roupa... Ele sorri, abre o Box e procura pela toalha me dando espaço no chuveiro.
- Não pode ficar um pouco mais?
Sem falar beija meu rosto e começa a se enxugar. E já que estou decidida a não deixá-lo ir, tomo um banho rápido e volto pra cama. Enquanto ele perambula pelo quarto, atrás das calças, da camisa, meias e sapatos, me insinuo. Escondo a blusa que tirou do armário embaixo das cobertas. Mas deixo que perceba meu gesto, quando sua mão vem à cata dela, tento catá-lo também, seguro sua mão e o puxo ao meu encontro. Não se nega, mas é apenas sua boca em meus cabelos e as mãos resgatando a blusa.
- Tenho frio, fica mais um pouco...
- Não posso, tem gente me esperando.
- Eu também estou esperando você e cheguei antes.
Ele sorri, senta na cama, e se abaixa pra colocar as meias.
Abraço ele por trás e o faço deitar-se. Evidente que mais forte, livra-se com facilidade de minhas mãos que continuam provocando. Sobem pelas costas, beijo sua nuca, me abraço ao seu peito. Com que então ele se vira e me beija já esquecido dos sapatos. E aos poucos vai fazendo o processo inverso de tirar o que colocou e minhas portas vão se abrindo ao nosso desejo.
- Vou chegar atrasado, sussurra enquanto me prende entre suas pernas.
- Não vá... fica vai?
O quarto se impregna de calor, de sons, de cheiros. Sempre um fim e um recomeço, um querer e um ter, uma dança perfeita.
Neste instante toca o celular. Pela musiquinha sei que do outro lado da linha está minha filha.
- Diga filha.
- Mãe, esqueci de avisar que vou sair mais cedo hoje. A dentista...

O homem nu ao meu lado sorri. Beija minha boca e me puxa pra ele. Sem perceber meu desanimo quer continuar no ato. Mas agora eu é que tenho gente esperando. Escorrego da cama e das mãos dele e só quando me vejo no banheiro distante dos meus desejos é que explico.
- Infelizmente você não vai chegar atrasado.
Juntos nos trocamos e saímos para o frio da cidade.

maria izabel