Cidade de a_Deus

Com o zoom bem ajustado explode o flash. Flash! Que registra a explosão de crânios e o momento da igualdade. Não é cinema, é real.

Aqui nem bons nem maus, nem mocinhos nem bandidos. Sobreviventes? Pessoas embrutecidas, alucinadas por um cotidiano de fome e misérias.

Busca-pé registra o instante. Contrariando o apelido aprendeu a não buscar pés, não se aceita capacho, nem como garantia. Aprendeu, a sair de um e de outro. A driblar. A sobreviver. Todos os lados se igualam. O lado dele é diferente. Não quer morrer, não quer entregar seu olhar a quem olha sem ver. E nisso ele está só.

No zoom perfeito da memória a sobrevivência ensinou a escolher. Escolhe as fotos,
que o levarão para fora dali.

Sobreviver é muito mais que driblar a fome. A fome de comida nem mata mais. O estômago sabe que é pouco de cada vez. Tem de aprender a conviver. Entender o que não se entende. Explicar o inexplicável. A calar o que te grita.

Busca-pé sabe, que não sabe, que entende, que não entende, que chora, mas que vai calar.
 

maria izabel

 



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