Florada

Jacarandá mimou-se.
Artesão, dia após dia o vento espiava o mimo acontecer. Sabia que quando a árvore estivesse plena, muito trabalho teria pela frente.
Começou a organizar as brisas, os ventos leves e os agitados, cada instante um vinha observar e detalhava o lugar, as plantações, as possibilidades.

Numa manhã o aviso foi dado, hora de começar .

A brisa soprou delicadamente a copa lilás, ela sabia que os tapetes são "ventuais" e precisam delicadeza, as primeiras flores cobriram o terreno íngreme da velha escola.

Outras modalidades de vento se somaram e em poucos dias chão e céu experimentaram o colorido do jacarandá.

Jacarandá mimou-se

Vento ventou-se.

E o tapete se fez.

Paro.

Olhar arregalado.

As mãos de pincel e as flores como tinta, redefino os motivos. Desenho os caminhos que trilhei, as trilhas que caminhei.

Ali teu vulto que não me deu tempo de colorir, mas que coloriu meu sonhar.

Mais adiante reformulo espaços....o vento olha e não entende, tapetes de jacarandá não podem ser manuais....e sopra sobre mim, só pra se mostrar...

Porque os jacarandás estão ma ra vi lho sos e eu estou tomada de cores....

maria izabel

 



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